Januária

Seus lábios fazem parte de uma linhagem real. Seu dedo tem o molde perfeito, feito pra invadir minha cabeça entre meus cabelos até minha nuca, entretendo minha pele. Sua voz tem um sereno jeito, corta macia meus ouvidos correndo um atalho, um caminho ilógico, que desbrava meu corpo inteiro.Sua íris castanha e direta tem um feitiço de roubar a utilidade dos outros olhos de olhar, e dá-lhes apenas a opção de saltar. Os antigos não perderiam o tempo com Netuno. Se te conhecessem, saberiam que apenas seus pés na areia fazem uma maré encher.




Nosso amor já estava escrito em anúncios, tratados, dados oficiais, estrelas, João Bidu.

Um por todos, todos por um





As músicas do acústico dos Engenheiros do Hawaii foram as que mais escutei entre 2006 e 2008. Letras muito inteligentes e um som de muita qualidade foram suficientes pra fazer minha cabeça por um bom tempo. Eu começava escutar logo quando me levantava pra ir ao colégio. Ia ouvindo no caminho, escutava nos intervalos, e quando voltava pra casa arriscava algumas músicas deles no violão.

As letras desse álbum são brilhantes, me fazem viajar toda vez que ouço-as. Conheço todas de cor. Hoje a minha lista de preferências musicais é  maior e mais eclética do que era há cinco ou seis anos atrás, mas eu curti muito esse álbum em determinada fase da minha vida e isso ainda me faz gostar muito dele. Letras geniais que me fizeram pensar muito, músicas muito bem produzidas... Pronto, isso já é o suficiente pra Engenheiros estar entre minhas bandas preferidas. Ou não.

Até uns dias atrás eu pensava que essa era uma das minhas bandas preferidas, mas não é. É verdade que escutei suas músicas incansavelmente durante dois anos e pouco e que eles me influenciaram bastante nesse tempo, mas Engenheiros pra mim ainda é apenas o Acústico Mtv, e eles são muito mais que isso. Ela tem dezoito álbuns e quase trezentas músicas, mas eu só conheço umas poucas que estão fora do acústico.  Só sei o nome do vocalista, não sei da história da banda, da história das músicas e nem dos outros dezessete álbuns. É muito pouco e muito superficial pra se declarar um fã como eu me declarava.

Cheguei a conclusão que não conheço Engenheiros, conheço o Acústico Mtv Engenheiros do Hawaii, e isso talvez não seja o suficiente pra gostar do todo pela parte com tanta convicção. Ou não, talvez seja.

Desligue a TV!


Há muito tempo sem acompanhar novelas, mas neste sábado, casualmente, assisti ao final da novela Passione da Rede Globo.

A emissora traz uma série de questões e problemas sociais como pedofilia, drogas, corrupção, traição, mentiras, o que acaba funcionando como um serviço de utilidade pública, ao fazer as pessoas se indignarem com os acontecimentos.

O que talvez não fique evidente para a massa entorpecida pela trama é a sutileza com que esses assuntos se tornam normais, criando padrões de comportamento (por imitação), levando as pessoas a agirem de forma que a exceção se torne a regra geral. Isso se dá pela inversão dos valores morais, éticos, também distorcendo os valores da família e do casamento. Um exemplo do desprezo por estes valores fica patente na normalidade da bigamia como solução alternativa nestes tempos de infantilização das relações, quando o adulto se sente impossibilitado de fazer escolhas, e como resposta, não consegue abrir mão de uma parte.

É óbvio que a superexposição de alguns temas acaba gerando uma falta de sensibilidade onde o mundo da fantasia passa a ser tão ou mais vibrante que o mundo real, uma vez que as novelas expõem detalhes que, mesmo inverossímeis, fazem parte da agenda de debates semanais. O que parece é que a inversão não é só dos valores da moral e da ética, como também do real e da fantasia. No mundo real, parece que tantas pessoas acreditam em Papai Noel, em políticos corruptos, onde bandidos condenados merecem perdão, já que os Direitos Humanos não são para os humanos direitos. Pouco a pouco uma nova camisa de força se implanta na sociedade enquadrando os temas do “Politicamente Correto”.

Uma das facetas da liberdade é poder dizer não a estas coisas.

Desligue a TV!

Whisky, cachaça, tequila, rum e REDBULL

Eu fico impressionado com o poder de convencimento da internet. Realmente essa ferramenta veio pra revolucionar o mundo e tem demonstrado seu poder quase que infalível. Parece uma grande loja de departamentos, onde são disponibilizados todos os tipos de mercadoria. Um prato cheio pra quem gosta de fartura.

Contudo, temos que enxergar que coisas sombrias e um tanto quanto inusitadas acontecem por aí. Lembro bem de um movimento feminino que teve, onde um e-mail era disparado para a trupe das mulheres. Este e-mail dizia mais ou menos assim: “Onde você guarda sua bolsa quando chega em casa? Responda essa pergunta apenas colocando o local no perfil do Orkut, no MSN, no Facebook e demais redes sociais. Um detalhe: não divulguem este e-mails pros homens para eles ficarem curiosos.”

Acreditem: consegui enxergar um grupo de meninas saltitando, batendo palmas e dando gritinhos agudos e irritantes (a tradução dos gritos é “amigas somos demais!!!”) comemorando o sucesso da operação. Daí vêm as indagações, meninas:

Qual o objetivo disso? Quem conseguiu iludi-las que isso seria eficaz? E hoje? O que isso trouxe pra vocês?

Algum tempo depois e me deparo com várias meninas colocando nas frases do Orkut: “Redbull”, “Whisky”, “Tequila”, “Gim”, “Rum”, etc. Vou deixar aqui um Link da possível fonte dessa “nova” “moda” feminina. É um texto que fala sobre mulher versus bebida, associando personalidade feminina ao tipo de bebida. Na lista não tem Redbull, o que me fez pensar numa possível leitura de personalidade da mulher que se identificou como tal:

1) As santinhas que não bebem ou que pensam que se associar o nome à bebida alcoólica serão excomungadas.

2) Aquelas que pensam que estão tão acima dos homens que eles terão que criar asas para alcançá-las

No fim aprendi uma coisa: não misture mulher com bebida, bolsas e, principalmente, internet! O resultado é daí pra pior. Prefiro confiar no brother abaixo:


Pô, mulherada... Acorda aí, né? Vocês não aprendem nunca!

Torpor

O som da furadeira do vizinho invadiu meu sono como uma britadeira, a vassoura fustigou os meus ouvidos com um barulho agudo e infernal, trazendo um azedume aos dentes como tivessem sido lixados naquele momento , eu mal sabia se essas sensações eram reais ou faziam parte da minha fantasia noturna. Não tive tempo de saber. Se pelo menos fossem sonho, o estorvo passaria mais rápido, apesar de contaminar o dia inteiro com lembranças  macabras, que não fariam o menor sentido. O sonho não me deu a possibilidade de questionar nada nem ninguém, eram imagens disparadas que atingiam o projetor interno do meu cérebro, o tempo de consultar minha memória na esperança de reconhecer algumas delas, era menor do que o intervalo entre uma face e outra. Então, eu me furtava a atirar para o alto , espantar todo tipo de medo, sentar na minha poltrona e ouvir o único som que não era de furadeira e nem de vassoura. Blossom Dearie tocando um Jazz no limiar do audível era o que me acalentava.

Feliz Ano Novo!

Enfim chegamos ao fim do ano, lembro-me de ter desejado em alguns momentos que ele acabasse logo, já que temos sempre a sensação de que os problemas irão acabar junto com ele. Só que agora estou até sentindo saudade. Por mais que eu me lembre da dor, das lagrimas, dos momentos difíceis, e como foram difíceis... Lembro também que foi nesses momentos amargos que pude me aproximar de algumas pessoas, que conquistei “melhores amigos”, que escutei Deus gritar, que acordei e com tudo cresci.
As aventuras vividas, as lagrimas derramadas, as palavras ditas e escutadas, as paixões, as decepções... Nossa, que ano!
Enquanto escrevo um turbilhão de cenas, momentos e vozes confundem meus pensamentos: “Agradecimento, Gratidão, Agradecimento...”, isso ressoa a cada lembrança.
Toda dor que um dia foi intensa, toda tristeza que parecia não ter fim, acabou. Como hoje me sinto feliz, feliz por olhar em minha volta e ver o amor de Deus sobre a minha vida, ver as pessoas que fizeram parte do meu ano de 2010. Que alegria Senhor! Queria poder colocá-la em frascos e distribuir para que eu não me sufoque com tanta felicidade dentro de mim e que vocês pudessem abrir quando se sentissem tristes. Sei que não posso fazer isso, mas que vocês saibam ver a Alegria e a Graça que o senhor deposita a cada manhã nas coisas a nossa volta, que cada pessoa que ler esse texto possa sentir um pouquinho dessa alegria e que principalmente os meus amigos tenham sempre a certeza de serem muito amados. Obrigada pelos risos, pelas palavras, pelas motivações, pelas broncas, exortações... Enfim, por todo cuidado, carinho e tempo compartilhado.
Então é isso, que venha 2011 que por mais que seja uma continuação do tempo, que a gente aproveite essa sensação de começo para reparar os erros, pra melhorar, e que Deus possa estar sempre no controle das nossas vidas, pois com Ele o ano certamente será maravilhoso!

Cosmopolitas

Elas são lacostianas, dolcegabbanianas, guccianas seus signos (ou seus humores) são determinados pelo símbolo que ostentam na camisa. Andam indiferentes a tudo, ignorando, como se fosse possível, o ar que respiram. Algumas tem souvenirs, Justins cópias da penúltima temporada de malhação, aqueles que mal conseguem dar atenção às suas damas e ao seu milk shake do bob's ao mesmo tempo. No período letivo são abatinadas como Vieiranas, Salesianas, Sartrianas, Mendelianas , mas no fundo do seus olhos ,atrás das sobrancelhas grossas, há um quê de cansaço que foi arrancado das costas da pobre empregada, que por aquela tarde não é obrigada a escutar as suas aporrinhações. Nas férias, saem todas iguais, como se continuassem fardadas, mas pagam mais caro e procuram mais pelas suas novas roupas. São as mesmas saias, sapatilhas, sandálias e etc.Enfim, sua origem é reconhecida tanto em Peri-peri quanto em Paris. Estão sempre a procura de um romance lunar, mas acabam com o garotinho da 8ª B que pega todas as meninhas, sabe 3 acordes no violão e joga bola com tênis de skatista. Fúteis e mimadas as meninas do Salvador Shopping, mas basta uma esticada de pescoço por cima de um ombro amigo que esse texto nem é meu...

O Insanoscópio

O blog não tem estilo literário definido, nem assuntos limitados. Vamos falar de tudo e de nada; do velho e do novo; do engraçado e do sério. Ainda assim, vocês vão perceber o estilo de cada escritor de forma muito clara. Lê quem quer ler. Divulga quem curte e acompanha a gente. Se somente nossos amigos acessarem, estaremos no lucro.

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