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Pode ser a Gota d'água...

Estou cansado do médio. Estou cansado do intelectualismo cheiro-de-chuva e pés descalços, estou cansado da pobreza de substância nas revoluções nascidas na juventude. Estou cansado das barbas por fazer, camisas quadriculadas, óculos de armação grossa ou um Ray-Ban do Edward. Estou cansado da geração do Lobão, que critica Revelação, Calypso, Saiddy Bamba  por não terem a riqueza de rimas ou de inteligência, mas tem o mesmo exercício cerebral ao ouvirem essas músicas daqueles que curtem essas ditas “aberrações”. Estou cansado das prateleiras cheias de autores que escondem as ignorâncias de alguns leitores atrás de suas iniciais. Estou cansado de Belo Monte na boca e Nike nos pés. Estou cansado do rótulo “sem rótulo” que é cada vez mais rotulável pela falta de criatividade dos subversivos de monitor.  Estou cansado do Ocuppy Wall Street de pessoas que não conseguem apontar o país da rua ocupada no mapa.  Terceirizamos até nossas preocupações e revoluções hoje.

Gota d'água por gota d'água ainda prefiro essa:



Greve de Princípios

"O simples dá credito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos." Pv 14:15

A identidade dos jovens de hoje é tão camuflável e facilmente inflamável. Sabem muito bem quem são, até surgir a nova moda que vai mudá-los completamente. Alguém que entenda melhor sua alma, que concorde que o problema não tá neles ou, quem sabe, tenha uma revolução que o preencha. É a geração "wikiquote-cheguevara".

 Esses são intelectuais de twitter, não reconhecem nada que vem da fonte, gostam do líquido, mastigado. Iconoclastas, postam frases ideologicamente rasas , que nem sempre entendem, por um "like" de quem está pronto pra ser o próximo gênio do http://www.frasesepoemas.com.br . Achei graça e depois coloquei a mão na cabeça, depois de ter postado duas frases sem sentido no Facebook e colocado Clarice Lispector e Caio F. Abreu como autores delas, recebi mais de 11 "likes" em uma, só não foi pior, porque na outra, eu coloquei uma frase de Filó da "Escolinha do professor Raimundo", que os ocos bem conhecem. Não generalizo. Se todas as postagens e curtidas viessem com entendimento geral, tudo bem, mas é muito triste ver a reflexão com a cabeça de outro.

Mas podem ser também comunistas formados no terceiro ano ou no cursinho. Se acham imunes a qualquer tipo de alienação.   Têm Che Guevara no peito e Marcelo Camelo na cabeça, além de amarem todo tipo de arte rococó-bizarra.  Os barões da luta os aguardam pra formar o caldo de sua revolução, dando a eles a oportunidade de pertencerem a algo e os únicos argumentos são frases de Marx, de Che ou qualquer palavra de ordem. São filhos da face da direita na esquerda. Dormem enquanto pensam por eles.

Pense, siga seu passo, reflita. Não seja mais uma massa de manobra por pensar que está pensando, enquanto os que estão pensando por você fazem a verdadeira diferença.

Como somos vistos e Como queremos ser


Há dois anos , no mundo inteiro, estourou uma crise financeira. Fruto de uma bolha de especulação no ramo dos imóveis nos EUA. Os Americanos, por causa do crédito fácil, compravam o que não podiam pagar, superaquecendo o mercado sem a liquidez necessária.  Nós brasileiros passamos com poucas sequelas por essa crise, mas sofremos com outra bolha. A autoestima.

Depois de 16 anos de desenvolvimento e exposição da boa imagem dos brasileiros, nosso país deixou de ser apenas  do samba e do futebol. Passamos a vencer em outros esportes, sermos reconhecidos em outros tipos de arte, e começamos a exportar nossa cultura.  Sentimos orgulho dos nossos grandes empresários, da nossa economia (temos o sétimo maior PIB). WOW! Somos membros do Conselho de Segurança da ONU. Isso tudo deixa o povo de nossas bandas cada vez mais feliz com seu estado. Nos sentimos pequenos Eikes agora.

Aí vem um filmezinho legal chamado Rio. Que mostra araras azuis americanas e um povo Brasileiro hospitaleiro, feliz, malandro e amante do samba, como nos velhos clássicos dos anos 50 (Orfeu Negro, os musicais de Carmem Miranda e etc.), quando o brasileiro só tinha isso pra mostrar. Aí vem a crise da autoestima:  “Ah! Nós brasileiros temos muito mais pra mostrar do que malandragem e samba.“ Pois é, mas não é isso que vemos nesse vídeo:

 http://www.youtube.com/watch?v=xNyvpPhFKBE

Não vou ser chato o bastante pra dizer que isso não foi engraçado, mas o coitado do japa até hoje deve gritar “piru pequeno” quando vê Zico na TV. O brasileiro médio, apesar das mudanças econômicas, continua com a cabeça muito parecida com aquele dos Clássicos. Substituímos ou incrementamos algumas coisas. Trocamos o samba pela ”surra de bunda”.  A malandragem continua a mesma coisa. Estacionamos em vagas de deficientes, furamos filas, enfim, saímos orgulhosos quando burlamos alguma regra impunemente.  A mídia que idolatrava o lance de Nilton Santos na copa de 58 (quando ele comete a falta e dá dois passos pra fora da área pra dizer que não foi pênalti) parece ser a mesma que hoje repete esse lance em todo primeiro de abril como se fosse símbolo da esperteza do povo verde-e-amarelo.



A imagem política criada lá fora formou uma bolha de autoestima no brasileiro. Somos mais fortes, mais ricos, mais potentes, mas continuamos com a mesma cabeça do malandro Grande Otelo. Pobre, sambista, feliz e que usa a malandragem pra ter tudo aquilo que nós já conseguimos.

O Fado da Cuíca - Pt4

Capítulo IV

Bárbara, nunca é tarde...

Acertei o preço das aulas por telefone. No primeiro encontro fui arrebatado por um olhar que tentou buscar na memória algum rosto recente. Reparei que em cima da mesa jazia brilhante e bem conservada uma caneca do Benfica e o pôster dos Campeões da Europa de 62 pendurado na parede.  Fiquei impressionado como naquela casa tudo remetia aos Encarnados, à República e ao Fado.  As guitarras portuguesas, os cravos, as recordações de Eusébio, tudo naquele lugar cheirava a alecrim. Passei algum tempo fingindo ser aluno de História Portuguesa, mas, na verdade eu me apaixonava por um pedacinho daquela terra em um apartamento de 62 m² no centro de Lisboa, e por sua dona, que me encantava e tinha um olhar renitente em cruzar o meu por isso vivia vidrado nos livros e nos textos. Depois de meses de aula já me sentia português, torcedor do Benfica, e muito mais próximo de Bárbara. Era figura costumeira no Estádio da Luz. Vi o time Supercampeão com 14 títulos em 18 anos, vi a república portuguesa ser tida como a salvação do país e vi o Fado crescer como identificação cultural dos lusos. Em uma das últimas aulas do ano, eu já não suportava mais Afonso Henriques, pedros, migueis, marias. Num arroubo lhe disse “Bárbara, tenho que confessar-te algo!” ela esbugalhou seus olhos verdes “Fala, Fran! Estás a me matar de medo”. Fechei os olhos e fui uma hemorragia de confissões, quando eu os abri, Bárbara era a maior mulher do mundo, não existia mais nada naquele apartamento, só ela. Sua boca era tão grande naquele momento que ela exercia uma gravidade que a minha não resistiu, nem podia.

O Fado da Cuíca - Pt3

Capítulo III

Tanto mar

Nessas turnês cresci, ganhei dinheiro, conheci muitos lugares. Mas o último lugar que visitei e me apaixonei foi Lisboa. Não passaríamos por lá, Portugal vivia numa crise da ditadura e as obras tinham sido censuradas. Fomos graças à Revolução dos Cravos em 25 de abril de 74. Fiquei maravilhado com a cidade e com a efervescência política depois do acontecido. Em 77, resolvi me estabelecer por lá, tinha juntado um bom dinheiro e não precisava me preocupar com trabalho por algum tempo. Vivia de bar em bar me envolvendo com um novo tipo de som, o Fado, este entrava na minha cabeça muito mais como poesia decassilábica sem ligar muito pro seu ritmo. Em um Café encontrei uma bela fadista portuguesa. Aquela Jovem de cabelos longos e negros, pele azeitadada de Algarves, olhos verdes e grandes carregados de gravidade, talvez pela alma da canção, não chamava muita atenção por ser um tipo comum vindo do sul da Península. Mas ela me lembrava uma moça que tinha visto em fotos sobre a Revolução dos Cravos que o Ruy Guerra vivia mostrando pra Chico Buarque. Resolvi perguntar ao balconista quem era a moça. Pouco sabia. Disse-me que o nome dela era Bárbara, era professora de História pelo dia e cantava Fado nas terças e quintas naquele café. Já era o suficiente para mim. Fui logo me apresentar a ela. Não sei de onde veio tanta coragem, talvez tenha vindo com a confiança que ganhei na turnê, ou de não se importar mais com a língua presa por já estar falando um outro português. Sei que Bárbara fez pouco caso de mim, não tinha muito o que me falar. Apenas agradeceu os elogios e respondeu minhas perguntas. Fiquei louco para aprender mais sobre o Fado e a poesia que se esconde atrás dele, até que um dia encontrei na parede de um edifício no Bairro da Mouraria um papel escrito “Reforço de História Portuguesa – Professora Bárbara Carvalho”.   Não precisava saber de História Portuguesa, mas eu tinha que ver aqueles olhos verdes outra vez.

O Fado da Cuíca - Pt 2

Capítulo II

É verde, é rosa!

Tinha dois grandes sonhos na minha vida, jogar pelo América e desfilar com a Mangueira. O primeiro foi desfeito por uma lesão no joelho em um dos testes. Tinha 16 anos e o América não acreditou na minha reabilitação. Chorei. Chorei até ter pena de mim mesmo. As palavras do treinador só pararam de doer quando eu recebi um convite de um tal de Agenor, amigo de meu pai, que me convidou pra tocar a  velha Cuíca na verde e rosa. Desatei a estudar música, o vermelho do Mecão já não tomava grande parte do meu coração, mas dava lugar ao verde e  rosa da Estação Primeira. Logo no meu primeiro carnaval em 61 fomos campeões com o enredo “Reminiscências do Rio antigo”, repetimos o feito em 67 e 68 quando eu mudei pra bateria da escola e também quando eu conheci a Cecília, a Porta-Bandeira. Era louco por ela, a ponto de brigar com o Moreirinha, o mestre-sala, sujeito que nunca me fez mal, por puro ciúme. Cecília era uma morena de pele macia, olhos negros e fundos, sorriso alvo e perfeito, mas o que mais espantava nela era seu jeito de andar. Seu desfile fazia o morro parar, como se todos esperassem por aquele momento. E tudo só voltava ao normal, quando sua graça se perdia no horizonte e ninguém mais a via. Sempre tive vergonha de falar com ela, talvez pela minha fala medonha, talvez pela minha timidez, talvez por ser só mais um baterista e ela ser A Porta-Bandeira. Passei a não ligar mais pra ela, vinha crescendo como baterista da escola e soube que o sobrinho do Jamelão tinha uma queda por ela, era “melhor não mexer com essa gente grande” sempre disse meu pai e eu consentia. Em 73 fomos campeões de novo, dessa vez a bateria foi destaque da Escola. Fui convidado pra ser percursionista de uma turnê com Chico Buarque com o objetivo de promover o CD e a peça “Calabar”.

O Fado da Cuíca

Capítulo I


Nasce Chico Cachaça


Meu nome, Francisco Santos, nascido em 1944 no Morro da Mangueira, onde fui criado. Vindo de onde eu vim só tinha um destino. Dar samba! Logo, logo meu pai me colocou nas rodas de Bamba, nelas eu comecei a ser conhecido como Chico Cachaça. Pura ironia dos meus parceiros. Parei de beber no primeiro porre, quando apanhei tremendamente de minha mãe com 17 anos- Só deixei de apanhar da velha no dia em que seus reflexos já eram mais lentos que meu corpo. O apelido vem muito mais da gozação que sempre se fazia quando eu mastigava o som do “x” e do “ch” e com essa alcunha eu era obrigado a falar duas vezes. Por causa desse defeito sempre fui muito tímido, nunca fui de falar muito, muito menos cantar. Fui relegado à cuíca, nunca reclamei, gostava dela, mas só gostava por causa das cuícas que eu ouvia em outros sambas e na minha escola de coração, a Estação Primeira de Mangueira.

Januária

Seus lábios fazem parte de uma linhagem real. Seu dedo tem o molde perfeito, feito pra invadir minha cabeça entre meus cabelos até minha nuca, entretendo minha pele. Sua voz tem um sereno jeito, corta macia meus ouvidos correndo um atalho, um caminho ilógico, que desbrava meu corpo inteiro.Sua íris castanha e direta tem um feitiço de roubar a utilidade dos outros olhos de olhar, e dá-lhes apenas a opção de saltar. Os antigos não perderiam o tempo com Netuno. Se te conhecessem, saberiam que apenas seus pés na areia fazem uma maré encher.




Nosso amor já estava escrito em anúncios, tratados, dados oficiais, estrelas, João Bidu.

Torpor

O som da furadeira do vizinho invadiu meu sono como uma britadeira, a vassoura fustigou os meus ouvidos com um barulho agudo e infernal, trazendo um azedume aos dentes como tivessem sido lixados naquele momento , eu mal sabia se essas sensações eram reais ou faziam parte da minha fantasia noturna. Não tive tempo de saber. Se pelo menos fossem sonho, o estorvo passaria mais rápido, apesar de contaminar o dia inteiro com lembranças  macabras, que não fariam o menor sentido. O sonho não me deu a possibilidade de questionar nada nem ninguém, eram imagens disparadas que atingiam o projetor interno do meu cérebro, o tempo de consultar minha memória na esperança de reconhecer algumas delas, era menor do que o intervalo entre uma face e outra. Então, eu me furtava a atirar para o alto , espantar todo tipo de medo, sentar na minha poltrona e ouvir o único som que não era de furadeira e nem de vassoura. Blossom Dearie tocando um Jazz no limiar do audível era o que me acalentava.

Cosmopolitas

Elas são lacostianas, dolcegabbanianas, guccianas seus signos (ou seus humores) são determinados pelo símbolo que ostentam na camisa. Andam indiferentes a tudo, ignorando, como se fosse possível, o ar que respiram. Algumas tem souvenirs, Justins cópias da penúltima temporada de malhação, aqueles que mal conseguem dar atenção às suas damas e ao seu milk shake do bob's ao mesmo tempo. No período letivo são abatinadas como Vieiranas, Salesianas, Sartrianas, Mendelianas , mas no fundo do seus olhos ,atrás das sobrancelhas grossas, há um quê de cansaço que foi arrancado das costas da pobre empregada, que por aquela tarde não é obrigada a escutar as suas aporrinhações. Nas férias, saem todas iguais, como se continuassem fardadas, mas pagam mais caro e procuram mais pelas suas novas roupas. São as mesmas saias, sapatilhas, sandálias e etc.Enfim, sua origem é reconhecida tanto em Peri-peri quanto em Paris. Estão sempre a procura de um romance lunar, mas acabam com o garotinho da 8ª B que pega todas as meninhas, sabe 3 acordes no violão e joga bola com tênis de skatista. Fúteis e mimadas as meninas do Salvador Shopping, mas basta uma esticada de pescoço por cima de um ombro amigo que esse texto nem é meu...

Cotidiano


Segunda- feira é um dia diferente. É o primeiro teste.  Não sei se depois da ressaca emocional do Domingo e da tarde catártica e vazia de ideias do Sábado fizeram que minha cabeça deixasse de reconhecer a paixão da Quinta. Mas logo vem, não precisa vir de frente, não precisa ser por muito tempo, não precisa estar sorrindo, ou com rosto marcado pela exaustão da caminhada, precisa só se fazer conhecida pelas minhas veias que quase não suportam a quantidade de sangue que o coração desesperado em disparada bombeia. A segunda termina com sorriso de não-sei-o-quê .


Terça é o dia da coragem.  Mas só a observo.  Foi-se o teste, também evaporou qualquer dúvida do sábado ou do domingo, dias que parecem nem existir na cidade do Pó. É o dia de pensar em falar tudo aquilo que você tinha ensaiado e... nada. Logo vem o calafrio e foi-se a terça com gosto doce por ser só terça...

 Não adianta ele dizer que nunca sentiu algo parecido na sua vida. A paixão é como um filme da sessão da tarde, aquele que é bem repetido, mas nunca entendido ou assimilado. Hoje ele falou com ela, mal pode encará-la, foi um misto de pudor do pudor dela com fascinação excessiva daquela menina que indagava o trivial, e impressionava com o simples. Assim foi a quarta-feira ele falou com ela e a olhou nos olhos. Acabou o dia com impressão de ter sido puxado por Ulsain Boldt fazendo tudo em 9 segundos e blá blá blá milésimos... Façamos o tempo engatinhar na Quarta!

Quinta é o dia chave,  fazer alguma coisa ou deixar ser mais uma semana de minha vida? Ela cada vez mais parece uma pintura que o seu autor admirado com tanta maestria, não admitiu que seu moto, sua própria assinatura, atrapalhasse a pureza daquele quadro. Seus passos batucam em francês fino e romântico, como uma canção de Paulinho da Viola, assim parecendo que seu coração leviano palpita nos pés finos e aparentemente macios dessa meia-morena . 




Tá bom, Claudia. Senta lá...

É assim que somos controlados hoje. Não é mais com um déspota, um governo autoritário, ou até uma ditadura com uma fina máscara de democracia. Claro que há muitos casos de governos com esses perfis ao redor do mundo, mas nós, que nos dizemos massa crítica e amantes da liberdade, somos controlados por ela mesma.

Estava lendo a edição dessa semana da Carta Capital e a dimensão do caso de Julian Assange, fundador e representante do Wikileaks. Este site causou uma imensa revolução no tocante a informação. Vieram, ao grande público, informações que até então eram reservadas aos altos níveis de governos e embaixadas. Pela primeira vez informações não eram negociadas com poderosos, aqueles que deveriam ser fiscalizados pelo povo a partir delas. Genial! Até que incomodou demais e inventaram de prender  Assange. Ainda aí tudo certo na Bahia, porque a Wikileaks é uma sociedade anônima e tinha uma canalha de gente por trás de Julian, mas aí vem o motivo da revolta desse post, quarta-feira, dia 1 de Dezembro, O Tio Sam pressionou a Amazon a expulsar o site dos seus servidores e até quando eu escrevi esse post os Hashtags #WikiLeaks e #Assange estavam sendo censurados pelo twitter. E dia vai, dia vem pouca gente protesta, e o apoio tímido de alguns políticos acabam virando manobra da politicagem e não ajudam em nada.

Mas por que o mundo assiste a isso com tanta inércia? Só balançamos a cabeça dizendo: “ Que absurdo! O rapaz só quer fazer o bem”, nossas poltronas não aguentam mais ouvir isso. A humanidade é fã do “status quo”, só lutamos contra algo quando sentimos que está nos atingindo em cheio. Não percebemos que somos livres pela metade. Achando que somos por completo, só nos torna mais mansos e domináveis .  

Bom tempo

Enfim, sua chegada foi comemorada e sentida por todos no lugar, não existiria samba campeão capaz de dissolver aquele momento, as retinas a acompanhavam até que faltassem o canto dos olhos e os pescoços fossem obrigados a virar cada vez mais à esquerda, e mais, e mais, até que os troncos fossem os comandados da vez, chegando num ponto que todos os corpos estavam na sua direção a observando, como se tudo se desvanecesse (o barulho das fotocopiadoras, o burburinho das meninas, Helicóptero).

Seus olhos que por muito pouco não estão nos céus, ainda não transcenderam porque o sol é muito invejoso e pequeno, não podendo ter uma sacerdotisa tão mais bela. Ele se envergonhou, um anjo emudeceu, nem uma brisa soprou, quando ela entrou por aquele portão. 

Benjamim pela primeira vez

Sempre quando ele olha algo parecido com ela, enlouquece, seu coração dispara, seus olhos saltam como se rebelassem contra o dono e tivessem domínio das suas ações. Tudo para ele faz com que a dor da sua falta- que nem tem muita razão de ser, até porque falta só se faz com a presença-  assuma posição feudal e irrevogável, e sua disritmia, seja serva contente .

Mas ela é perfeita...

Sua perna esquerda levemente flexionada para fora, como uma menina envergonhada contando uma traquinagem ao pai, seus olhos tem gosto de chocolate meio-amargo.  A constituição do nariz com a boca é impecável. Os dois não são perfeitos, nem belamente desenhados, mas combinam inexoravelmente um com o outro.

Pobre rapaz, tem todas as cores do mundo roubadas por um vestido rosa, toda graça do mundo resumida em um sorriso aparelhado, e toda sua felicidade apagada por um “tchau” que nem sequer foi pra ele...

Noite de Santo Antônio

[...]tinha sido uma noite muito estranha, como todas as outras naquela semana. As horas passavam apinhadas de incertezas, sorrisos, proibições e concessões . Mas depois de muita palestra diplomática, lá estavam os dois. Os lábios dela - o inferior e o superior- discutiam entre eles sobre a melhor arrumação. Os lábios dele simplesmente formigavam, como se braços estendidos estivessem prestes a brotar deles. As bocas eram tão soberanas que no momento não existia mais palpitação, olhos e respiração, só o amor que eles acolhiam no espaço molecular do beijo [...]

Bond Leklost da Insanidade

Bem, como alguns já sabem, o Insanoscópio saiu do ar por um momento porque fomos hackeados ( ou hackiados como eles preferem escrever) por um grupo intitulado  "Bond da Stronda". Aí eu fui pesquisar o que era isso. Imaginei um grupo de playssons (do tipo que tiram fotos no banheiro do shopping Iguatemi), mas o Bond da Stronda é mais do que isso.

 Bond da stronda na verdade é uma dupla de rappers "representantes de toda Playssitude" (como eles se denominam). Tocaram duas vezes em malhação e "Boom", todo mundo era "stronda" também. O nome foi adicionado a outros dessa modalidade -tipo: " L£@ndrinh0 $olz@ Lek Strønda" ou "ღ*•maiara løst Strøoonda ツ☏.*☆**♡" no -orkut. No msn todos passaram a ouvir esses caras. E a cachoeira de grana que caiu na conta dessa dupla foi tão grande que um deles dormiu como Gustavo e  acordou Arnold Schwarzenegger, efeitos latentes das vitaminas A, D e E.  , e o outro é a mistura de Lil wayne e Justin Bieber.  (Assistam o vídeo abaixo. Assistam mesmo!)




Nessa música você vê o modo de vida do Playsson e a competição entre eles pra ver quem é o mais Stronda. É  assim que se resume a vida de um "lek lost": Boné de aba reta, esteróides e Red Bull -de vez em quando Jiu-Jitsu e bem de vez quando garotas.
 E  os futuros Bill Gates e Steve Jobs que hackearam nosso blog queriam entrar nesse nicho intelectual. Se conseguiram, não sei. Só sei que eles abriram novas oportunidades para o Bond da Insanidade.
Voltamos!!!
"O Bond da insanidade tá chegando na irmandade/ encarando de frente a verdade/só assim se consegue a felicidade" - V1¢tow SΣQUЄŁΛ ß.Ø /ρrøfiiłє Ø2

Uma prosa com a modinha, o chato e Schopenhauer…

Bem, o meu tempo áureo de internet coincidiu com uma febre musical e comportamental insana e sem sentido, chamada Emocore. E eu, como pré-adolescente “não-alinhado” com essa babaquice, criticava duramente essa galera de cérebro pequeno e tempo de sobra. Mas que cabeça, a minha. Entrar em comunidades, criar fakes pra xingar esses caras, cuspir em cima de posters do Fresno, CPM 22. Foi-se o tempo.


Eles são bizarros, mas não há nada melhor do que ignorar a existência deles
Hoje eu olho para trás e lamento. Lamento porque eu era tão babaca quanto eles, porquanto me organizava pra combater um bando de idiotas – Pra você se achar designado a esse trabalho tem que ser um quadrúpede mesmo. Ainda olhando pro passado, vejo que ele se repete. A mesma magreza dos músicos, os mesmos cabelos feitos com a chapinha da irmã, só um pouquinho mais de cor, o que os tornam mais espalhafatosos e o mundo mais triste. O que não mudou também foi a cabeça dos fãs dessas aberrações. Continuam altamente massificados e bitolados. Mas quem perde tempo se aglutinando contra essa galera, entrando em comunidade, dizendo que “Se Restart é rock’n roll, Xuxa é heavy metal” e etc, é tão tonto quanto esse povo rosa choque, só que em sentido contrário.
Enfim, o que eu quero dizer nesse curto post é que a juventude de hoje precisa de alguma tábua ideológica pra se agarrar, se não for nas cores do Restart, é na falta de cores do “antirrestart” ou de qualquer outra coisa que é idealizada por uma pessoa e seguida por uma multidão sedenta por ocupação. Aí que entra o Wolverine da filosofia, Schopenhauer. Ele disse que pensar com a cabeça alheia é a maior demonstração de “menoridade mental”. Então, aí vai um conselho pra essa galera que se estapeia entre o Punk, o Indie e o Emo, pensem com suas próprias cabeças, criem suas próprias opiniões, tenho certeza que não vai sobrar tempo pra militar em causas tão medíocres.

Noel quem??

Bem, todo brasileiro que assista Globo, ouça rádio FM e que não viva em estado vegetativo trancado num quarto hermético conhece composições como “Fita amarela”, “Com que roupa” e “Gago apaixonado”, mas atribui as músicas a outros compositores. Um dia, ouvindo algumas músicas de Chico Buarque, encontrei a canção “A Rita”, que fala em um trecho:
” Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel! Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel”
Eu, como fã de Chico, me perguntei ” Quem foi esse Noel?”. Santa ignorância! Foi o maior, melhor, o mais genial sambista de todos os tempos. Em seus 27 anos de vida compôs mais de 300 sambas, e muitos deles continuam na boca do povo. Com rimas fáceis, músicas pequenas e de fácil memorização, Noel primava pelo bom-humor e pelo sarcasmo nas suas letras, sempre inspirado no cotidiano carioca. Galanteador nato, preferia conquistar as cabrochas pela sua inteligência, seu bandolim e suas letras, uma delas era dona de um Cabaré. Isso mostra a vida boemia de Noel. Com noites perdidas, bebedeiras e orgias, acabou com sua saúde, contraiu tuberculose e morreu jovem em 1937. Viveu tempo suficiente, porém, para se tornar um mito. Mas espera! Mito pra quem? Quem conhece esse cara? Quase ninguém. Mas quem conhece reconhece a grandeza desse magrelo estranho.
Aí vai uma música de Noel cantada por Chico. Saudações da Vila!

Não me faça passar vergonha

” Não coloque o cotovelo em cima da mesa!”, “Tire o dedo do nariz!”, “Não cuspa no chão!”. Você com certeza ouviu uma dessas três frases de sua mãe, se não todas elas, e, certamente perguntou o porquê de todas essas regras e que diabos significa Bons modos. A pequena ética, ou etiqueta, sempre foi importante para delimitar os espaços de cada um e estabelecer pequenas normas de convivência.

Mas a partir do século XVIII isso se tornou uma grande obsessão. Pequenos livros foram escritos na França para mostrar como viviam os “homens bons”. E o pior de tudo, os nobres de toda Europa compravam e tentavam seguir à risca esses manuais do “savoir vivre” . Mas até na França a boa educação viveu seu declínio. Em 1789, com o advento da Revolução Francesa, tudo que era monárquico foi aviltado, até os bons modos. Os comprimentos como “Monsieur” e “Mademoiselle” foram substituídos por “Citoyen” e todo tipo de convenção social que lembrasse de longe o “Ancién regime” era jogada fora ou reinventada. Na França, o “savoir-vivre” só foi retomado em grande estilo depois do primeiro Império de Napoleão. Nessa época a obsessão pelo decoro tomou proporções sem precedentes a ponto da injúria ser hiperbolizada pelo duelo e a implatação de uma lei que proibia pessoas bem-educadas comessem ervilhas com a ponta da faca. Os novos ricos tinham bons motivos pra serem “bem-comportados”. Quais eram? Um dos motivos já foi dito, precisamos de pequenas regras para vivermos em sociedade. O outro é que a burguesia tinha que ter muito mais do que dinheiro pra ser nobre, tinha que se portar como tal.
Com a chegada do século XXI a etiqueta ganhou um novo contorno a “netiqueta”, que são os bons modos na Web onde o lema principal é : ” Antes de enviar uma mensagem, é preciso perguntar: Eu diria a mesma coisa se essa pessoa tivesse na minha frente?”.
Mesmo que as boas maneiras sejam usadas como arma para diferenciação social, elas são um dos pilares da sociedade. Que fila seria formada e respeitada sem que as pessoas tivessem o mínimo de educação e civilidade? A importância do savoir-vivre está em suprimir alguns instintos humanos em detrimento do bem-estar de uma comunidade. Até o camarada Lenin (anti-burguesia e suas convenções) disse certa vez:” Duas coisas a burguesia nos legou e não podemos dispensá-las: o bom gosto e as boas maneiras”. Sua mãe já deve ter lido isso em algum lugar… ou não.

Dialogue sur l'amour

O que é o amor? Alguns dizem que é um estado doentio, a busca de uma quimera, deletério da sociedade. A história mostra que já destronou reis – exemplo de Edward Windsor que abdicou ao trono britânico por amor a Wallis Simpson, fez Marco Antônio ir pra guerra por causa de Cleópatra, e Henrique VIII promover uma reforma religiosa para poder casar com Ana Bolena (embora saibamos que outros motivos além do amor martelavam a cabeça dos Tudor). Napoelão chegou a afirmar: ” Acredito firmemente que o amor faz mais mal que bem”. Ceifou a vida de jovens e depressivos Byronianos. Enfim, como disse Proust, ” Os que amam e os que são felizes não são os mesmos”.
Mas o amor é também o melhor do homem, a virtude dos corajosos e tudo aquilo que Camões escreveu. Faz de qualquer pedra um poeta, do suspiro uma rotina, e o mais egoísta encontrar a felicidade na ventura de outro alguém. Não há nada tão doce quanto o amor.
Bem, o final tá aberto a discussões. O que vocês pensam sobre o amor? Byronianos e Condoreiros, discutam!

O Insanoscópio

O blog não tem estilo literário definido, nem assuntos limitados. Vamos falar de tudo e de nada; do velho e do novo; do engraçado e do sério. Ainda assim, vocês vão perceber o estilo de cada escritor de forma muito clara. Lê quem quer ler. Divulga quem curte e acompanha a gente. Se somente nossos amigos acessarem, estaremos no lucro.

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