Será que...


Com os últimos acontecimentos que pairam neste blog percebo o quanto ainda se faz latente esse incomodo com a apatia masculina. É verdade que o ser anônimo pode não ser nem uma mulher, seja apenas alguém curtindo a ideia de ter algum tipo de ibope na vida, ainda que anônimo. Mas vou aproveitar esse ensejo.

Há muito ouço e participo de discussões indignadas em rodas feministas em relação à postura masculina, e por vezes me vi enfurecida por acreditar que eles, jovens garotos que despertam certo interesse em algumas nós, não eram "capazes" de tomar uma atitude.

Isso é tão comum que já parei pra pensar sobre o assunto algumas vezes e já tive a oportunidade de ouvir diversas vertentes com opiniões enriquecedoras de ambos os sexos. É muito provável que não haja uma aceitação das leitoras, algumas irão se identificar e por isso sua revolta aumente, ou talvez discordem completamente.

O caso é: será mesmo que eles não têm coragem o suficiente para falar com você?

Nós, mulheres, criamos tantas "teorias" quando nos interessamos por alguém, que hoje posso identificar uma série de estágios pelo qual passamos, estágios esses que ainda variam para tipos e tipo de mulheres. Tentarei aqui relacionar alguns deles:

1. Ao se interessar...

Agimos como tolas e fazemos de tudo para não sermos "desvendadas". O problema é que ninguém ensinou como fazer isso, então fazemos o oposto, escrevemos na testa e apesar de já imaginar que todo mundo já notou, continuamos piorando a situação. Então, eis que surge aprimeira teoria: "Se eu o ignorar, ele nunca vai perceber". Eu sinceramente não sei quem foi que disse que isso funcionava... primeiro porque dificilmente você vai ignorar alguém que gosta e segundo que se ele estiver afim pode estar pondo em risco uma relação futura.

2. Para saber se ele também se interessa...

Continuamos agindo como tolas e antes mesmo de termos certeza, todo mundo já tem. É a teoria de que falar pra uma ou duas amigas, que falaram pra mais duas e assim por diante... Vai chegar aos ouvidos do “alvo”, assim, só pra saber se há um interesse da outra parte também. É, certamente chegará, mas sabe como é telefone sem fio né?! (Essa teoria é bem mais na fase teen).

3. Eleé tão gentil que...

É obvio que ele quer agradar! Fala sério meninas! Hoje eu estou começando a achar que os meninos têm deixado de ser cortês em alguns momentos, porque talvez seja uma forma de defesa. [Claro que isso não justifica a falta de cavalheirismo, ou pelo menos educação de alguns. Porque se todos eles fossem sempre assim, por natureza, e com todas, nós não nos espantaríamos quando um agisse gentilmente].

4. Ah, esse tipo de brincadeira...

Com certeza quer dizer alguma coisa... Por quê? Eu realmente não entendo porque um cara brinca ele tem que ter algum interesse em você, talvez ele seja só “brincalhão”.

3. Ah, então ele deve ser...

Cego, tímido, lerdo e por fim, covarde!

o queremos acreditar na possibilidade de ele não estar afim de nós.

E por isso criamos teorias, ideias e desculpas. Independente de quem seja o “anônimo” fica um alerta para as meninas e deixo bem claro que não estou defendendo eles por completo, só aproveitei a oportunidade e por isso eu agradeço a deixa que você me deu para falar de algo muito discutido e pelo ibope que você tem nos dado, afinal ninguém sabe quem é o anônimo, mas todos sabem como chegar ao Insanoscópio.

Where's Wally??


Eu respeito os comentários que chegam ao blog. Acredito que meus amigos compartilham da mesma opinião que a minha. Uma das maiores perdas para o Insanoscópio no atentado, cujo impacto mudou nossa vida, foi, sem sombra de dúvida, os comentários dos leitores assíduos.

Se eu fosse seguir conselhos de alguns eu nem estaria escrevendo esse texto. Mas quero dar a César o que é de César. Algo curioso me chamou a atenção nos últimos posts (ainda que eu tenha me privado de comentar sobre os textos) foi a presença de um novo leitor. Estou falando de Anônimo.

Recheando os textos com seus comentários, este ser demonstrou uma capacidade gigantesca de amar e odiar. Tamanha oscilação de humor poderá ser vista por vocês no decorrer do texto. Sei que podem ser diferentes pessoas, mas vou partir do pressuposto que seja à mesma (ainda que sejam várias pessoas por trás do mesmo nome, existem características comuns entre os comentários).

Tudo me leva a crer (com base nos elogios escritos) que nosso ser oculto é uma mulher. Ok... pode ser um homem utilizando a ferramenta da omissão para se divertir. Vamos analisar as duas possibilidades.

Se for um quase homem eu só consigo pensar na seguinte pergunta: Por que você, homem corajoso, não coloca seu nome? Questiona a “ineficácia” dos escritores quanto ao saldo positivo no campo amoroso / afetivo e não tem sequer a coragem de dizer seu nome. Honrável a sua postura. Eu estranho que você, que deve ser um grande garanhão, tenha tanto tempo de sobra pra vir comentar no blog. Gaste seu tempo com sua (s) mulher (es). É mais louvável estar dando atenção à sua namorada, se é que ela existe.

Caso o nosso “Arauto da Escuridão” seja uma mulher (e as razões para eu pensar que seja uma são bem convincentes)... a coisa está feia pra seu lado, né? Ter que se sujeitar a tal papel pra se fazer notável é porque, como se diz aqui na Bahia, “o bicho ta pegando”, hein? Não me resta nada a não ser pensar que você é um brócolis ressecado, um alface murcho, ou um molho de coentro despedaçado. A sua condição de solteira te afeta tanto que na sua mente essas são as mais eficazes formas de chamar atenção. Parabéns, você conseguiu. Só quero te dar alguns alertas: 1) você vai ficar solteira; 2) você vai ser mais feia que o normal; 3) não estamos nem aí pra você.

A covardia permeia muito mais a sua vida do que a nossa. Todo tema abordado aqui foi, em qualquer grau, experimentado pelos autores. Realmente pela Internet tudo fica fácil de ser dito. É por isso que você tem a oportunidade de se esconder. Estamos a seu dispor para uma franca conversa tète-à-tète, caso você julgue necessário.


Histórico de comentários (agora com comentário!!!) Fiz questão de manter a escrita original ainda que tenha ferido as normas gramaticais de escrita.

Com carinho,

Anônimo... quer dizer... Kiko Pereira



16/11/2010

06:41 - “Me apaixonei pela sua letra!Ass: Sua eterna admiradora” - Temos aqui a mais pura demonstração de carinho, aguardando uma resposta do escritor.

12:25 - “Como eu queria ser esse papel, para você repousar essas suas mãos em mim...” – Mais uma tentativa, sendo mais explícita com relação ao que sente (observem que o desespero é visível pelo “curto” espaço de tempo entre um comentário e outro).

18/11/2010


05:54 - “Vocês são românticos lindos e escrevem bem, não sei como é que ainda estão solteiros.” – Impressionada com o grau de romantismo dos blogueiros demonstra com palavras o quão injusto é o estado de solteiro. Foi uma espécie de “Meninas, fiquem atentas!!!”

09:39 - “Realmente os últimos post foram bem melancólicos, APESAR DE hoje ser bem raro encontrar garotos com essa sensibilidade e percepção da realidade, de tal forma que essa característica singular muito embeleza os textos [e talvez a pessoa, não sei, não conheço] de vocês. Parabéns, meninos.” – Mais uma tentativa de aproximação.

19/11/2010

09:04 - “Vcs escrevem muito bem. Parecem estarem apaixonados hem...rsrs” – Aqui fiquei na dúvida se foi a mesma pessoa... fugiu do padrão dos comentários.

10:34 - “Interessante é ver que nas palavras mandam tão bem, porém quando precisam tomar alguma atitude comem mosca. O que falta em vocês é ousadia, não no sentido pejorativo, mas no sentido de ter coragem de arriscar.” – Aqui já é possível enxergar a indignação e desespero da nossa “Princesa da Noite”. Ao contrário de nós, ela teve ousadia o suficiente pra se prestar a esse papel.

21/11/2010

18:03 - “Gérsica Bagano,não penso assim.Não confunda romantismo com covardia de chegar em uma menina.É como dizem,falar,qualquer um fala,ainda mais na Internet com tantos recursos a serem utilizados. Pq na prática ainda estão solteiros?Quem conhece sabe das meninas que eles desejam, e pq eles não têm a coragem de chegar até elas e falar todas essas coisas?Sejam homens por completo e não só pra escrever na Internet.” – Após a tentativa de defesa por parte de uma menina, Anônimo fica indignado (a) e entra com tudo!!!

Aversão ou A versão


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."
Eclesiastes 3.1

Os vídeos abaixo são diferentes versões de uma mesma música. Vale a pena assistir pelo menos a de Djavan.














A música Palco é composição de Gilberto Gil e foi lançada no álbum Luar, de 1981. Esse é um grande sucesso de Gil que foi regravado por outros intérpretes. Dois deles foram Djavan e Jorge Vercilo.

A mesma música, várias versões. Dá pra gostar de uma e não gostar das outras, dá pra gostar de todas ou de nenhuma. Depende de muita coisa. Depende muito do momento. Existe a possibilide de alguém não curtir nem um pouco o trabalho de Jorge Vercilo e ouvir palco pela primeira vez na voz dele. Há também a possibilidade de conhecer essa música ouvindo Gil, gostar muito e acabarbar achando interessante as outras versões. Pode haver também a possibilidade de, ouvindo a de Djavan, alguém achar que é impossível fazer melhor. Existem inúmeras possibilidades. 

Acredito que todas essas possibilidades estão relacionadas à maneira que se conhece a música. Uma boa impressão pode abrir espaço para conhecer novas versões, e as más impressões podem comprometer irreversivelmente o que se acha a respeito dela. Ou não.

Vejo muito isso nos meus amigos e nos que não são meus amigos. Conheci os primeiros no momento exato, no "tempo" exato. Eles, assim como todo mundo, têm várias versões,  várias estações. Às vezes gosto delas, às vezes critico-as, mas sempre conheço elas.  Talvez, se tivesse conhecido eles em outro momento, não seriam meus amigos. Os que não são  têm suas virtudes também, mas eu não conheço, ou não quero conhecer.Talvez eu tenha conhecido eles num momento pouco atraente, numa circunstância em que não era possível eu me interessar por suas variadas versões. Mas acredito que esses ainda podem me surpreender bastante. Talvez esse ainda não seja o tempo determinado para esse propósito.

Jehiel Casaes

Benjamim pela primeira vez

Sempre quando ele olha algo parecido com ela, enlouquece, seu coração dispara, seus olhos saltam como se rebelassem contra o dono e tivessem domínio das suas ações. Tudo para ele faz com que a dor da sua falta- que nem tem muita razão de ser, até porque falta só se faz com a presença-  assuma posição feudal e irrevogável, e sua disritmia, seja serva contente .

Mas ela é perfeita...

Sua perna esquerda levemente flexionada para fora, como uma menina envergonhada contando uma traquinagem ao pai, seus olhos tem gosto de chocolate meio-amargo.  A constituição do nariz com a boca é impecável. Os dois não são perfeitos, nem belamente desenhados, mas combinam inexoravelmente um com o outro.

Pobre rapaz, tem todas as cores do mundo roubadas por um vestido rosa, toda graça do mundo resumida em um sorriso aparelhado, e toda sua felicidade apagada por um “tchau” que nem sequer foi pra ele...

Cartas


Não desse jeito

Eu não sei como é que as pessoas continuam comprando essas revistas com fofocas e resumos de novelas, parece que não sabem o quanto aquilo está encharcado de mentiras. Elas são um sucesso, nunca saem das bancas e das prateleiras de mercado. As mentiras e as revistas. Não sei, parece que há algum tipo de emoção em descobrir o que é profeticamente correto. É uma loteria literária, sabe?

Essa imprensa passa todo tipo de informação, mas a gente nunca sabe se aquele ator realmente usa drogas; se aquele outro terminou o casamento porque foi traído; se fulaninha realmente fez aquela lipo; se nessa semana o assassino-vilão-master vai ser pego na novela das oito e coisas parecidas. Mas de uma coisa podemos pode ter certeza, elas não são confiáveis. A gente pode até comprar uma um dia, ler cuidadosamente, depois colocar  o cachorro pra fazer o trabalho sujo nela e, enfim, vendo as novelas, descobrir que foi pura perda de tempo consumir aquilo ali. Mas mesmo assim é difícil ficar decepcionado.

É, sabemos que são previsivelmente decepcionantes, portanto, já vamos nos preparando pro que der e vier. "Acertou, Caras? Beleza! Outra furada, Tititi? Aaah, eu já sabia!" . Uma coisa mais ou menos assim acontece quando verdadeiros amigos erram conosco. Já conhecemos suas fraquezas, suas limitações, seus defeitos e, quando as coisas vão desalinhando, é mais fácil entender os motivos dos vacilos. Assim, é mais fácil perdoar e saber que aquilo pode acontecer outra vez, mas é possível aprender a lidar e conviver com isso. Acaba não sendo uma grande decepção, mas uma natural falha humanamente aceitável. Ou não.

Complicado é decepcionar a si mesmo quando acreditamos que uma pessoa é o que acreditamos que ela seja, quando, na verdade não é. Ela não precisa necessariamente ser falsa ou dissimulada, basta que sejam alguém diferente do que , no íntimo, imaginávamos que fosse . Dessa maneira, repito, é decepcionar a si mesmo. O que é muito mais cruel.


Ou não.
 


 Jehiel Casaes

Noite de Santo Antônio

[...]tinha sido uma noite muito estranha, como todas as outras naquela semana. As horas passavam apinhadas de incertezas, sorrisos, proibições e concessões . Mas depois de muita palestra diplomática, lá estavam os dois. Os lábios dela - o inferior e o superior- discutiam entre eles sobre a melhor arrumação. Os lábios dele simplesmente formigavam, como se braços estendidos estivessem prestes a brotar deles. As bocas eram tão soberanas que no momento não existia mais palpitação, olhos e respiração, só o amor que eles acolhiam no espaço molecular do beijo [...]

O Insanoscópio

O blog não tem estilo literário definido, nem assuntos limitados. Vamos falar de tudo e de nada; do velho e do novo; do engraçado e do sério. Ainda assim, vocês vão perceber o estilo de cada escritor de forma muito clara. Lê quem quer ler. Divulga quem curte e acompanha a gente. Se somente nossos amigos acessarem, estaremos no lucro.

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