Noite de Santo Antônio

[...]tinha sido uma noite muito estranha, como todas as outras naquela semana. As horas passavam apinhadas de incertezas, sorrisos, proibições e concessões . Mas depois de muita palestra diplomática, lá estavam os dois. Os lábios dela - o inferior e o superior- discutiam entre eles sobre a melhor arrumação. Os lábios dele simplesmente formigavam, como se braços estendidos estivessem prestes a brotar deles. As bocas eram tão soberanas que no momento não existia mais palpitação, olhos e respiração, só o amor que eles acolhiam no espaço molecular do beijo [...]

Quarta-feira verde do Extra

Quero deixar claro que o post contém trechos que podem ofender algumas mulheres e render certas retaliações para mim. Mas entendam que o exemplo que dei foi baseado na minha conversa. A visão exposta aqui pode servir pra vocês mulheres!!!

Num bate-papo casual com uma amiga (casada e preocupada com minha solteirisse) no MSN, me deparei com o seguinte diálogo:

[Amiga]: Quiquinho, como você está?

[Kiko]: Oi [não vou divulgar o nome da pessoa]!!! Tudo bem, sim! E você?

[Amiga]: To bem!!! Conte-me, o coração como está?

[Kiko]: Muito bem, por sinal. Ta até me pedindo uma “coraçoa”! Heuhehuehue!!!

A conversa vai seguindo seu rumo e de repente ela me diz:

[Amiga]: Vocês homens complicam demais (...) Mas vocês ainda estão na vantagem...

[Kiko]: Como assim estamos em vantagem?

[Amiga]: A oferta pra vocês é muito maior. As coisas ficam mais fáceis.

[Kiko]: A oferta é grande, mas é que nem a “Quarta-feira Verde” do Extra. Na propaganda a fartura e a qualidade são supervalorizadas. Na hora H só a fartura permanece... a qualidade é difícil de ser encontrada.

A conversa termina com muita risada e comentários sobre o assunto.

O lance todo desta situação está no fato das pessoas sempre tentarem ajudar quem está sem namorada (o) a qualquer custo. Uma atitude louvável quando se avalia na esfera da amizade, mas algumas peculiaridades fazem esta atitude perder sua eficácia:

1- Geralmente, quem tenta arrumar alguém para “preencher” o espaço no coração de alguém já tem o seu preenchido. Nunca vi um solteiro se matando pra achar alguém pra o amigo ou amiga, a não ser que este seja um caso perdido. Com isso, o amigo que tenta promover perde o conhecimento da vida ímpar.

2- Essa pessoa não enxerga a pessoa indicada como alguém que aquela encararia, caso estivesse na condição de solteira. É um fato.

3- Por viverem as maravilhas da vida a dois nossos amigos perdem a noção do que promove a aproximação de duas pessoas: a identificação inicial, o coração acelerando, frio na barriga, a vontade de estar sempre perto. Enfim, os principais elementos catalisadores de um romance que, em tese, será eterno. Nós, chamados de amantes à moda antiga, somos taxados como complicados, exigentes demais, apáticos e algumas vezes de coisas piores.

Deixo aqui meu alerta aos pragmáticos. Não troquem a essência dos sentimentos, nem o prazer de senti-los pela simples necessidade de ter. Valorizem a etapa inicial de um romance. Ali é que são estabelecidas as bases do relacionamento.



Kiko Pereira

"...Seu All Star azul"


Acho que o All Star foi a melhor coisa que já coloquei nos pés um dia. Não comecei a usá-lo quando criancinha, na verdade, eu já era adolescente quando comprei o meu primeiro. Azul, cadarços brancos, cano curto, tamanho 42 eu acho. No começo, era fanatismo mesmo. Eu usava os meus em todo lugar, ficava horas vasculhando o site do fabricante, pesquisando a história do modelo, aprendendo a fazer diversas tranças e amarrações. Eu só falava em All Star. Minha família e parte dos meus amigos cansaram de mim por um tempo nessa época. Quando eu saía à rua, eu via todos os All Stars possíveis e os contava. Por cor. Descobri que todos os filmes que existem sobre a face da Terra têm alguém usando um par desses tênis. Grande parte dos meus amigos tinha um, era quase uma irmandade. Pra mim, todas as pessoas legais do mundo usavam All Star, todos os Vj’s da Mtv usam, todos os grandes astros do rock sempre usaram. Quem é que abre o clip “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana? Certa vez, depois de dez anos sem contato nenhum, reencontrei a primeira menina que gostei na vida. Foi na minha turma do 2°colegial, primeiro dia de aula. Uma das primeiras coisas que falei foi sobre o All Star vermelho que ela usava na primeira série. Ela ficou vermelha também. Ainda tenho um preto de cano alto que já foi todo riscado com refrões de rock do tipo: “nós não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir”. É, durante um bom e fútil tempo da minha adolescência eu acreditei que não precisaria calçar mais nada na vida. Aos 13 anos, tinha encontrado algo exato pra mim, algo que me deixava plenamente satisfeito. Nenhum outro calçado combinava tanto comigo e nem poderia ser tão bonito, versátil e agradável de usar.

Acho que os amores platônicos são muito assim também. Sei lá, parece que um dia se encontra a pessoa mais perfeita do mundo, milimetricamente feita pra você, mais cheia de defeitos suportavelmente adoráveis. Parece que os outros seres humanos são só seres humanos quando comparados a todo encanto sobrenatural que envolve a pessoa amada. Essa pessoa está em cada música, em cada livro, em cada esquina e em tudo que há de mais belo na vida. O mundo gira em torno desse alguém. “Eterno amor” e “razão do meu viver” são clichês de espécie básica. A característica mais marcante do amor platônico é a idealização do sentimento sendo correspondido e manifestado pelo outro, o que de fato não pode acontecer num amor platônico, pois ele é plenamente ideal, não pode se manifestar no mundo concreto. Sendo correspondido, ele perde sua essência. Mas o amor não precisa necessariamente ser correspondido para que seja legítimo. Precisa? Na verdade, o outro nem precisa saber da existência do amante. Ele se satisfaz só por estar amando. 

Sei que existem incontáveis modelos de tênis mais confortáveis, mais resistentes e mais úteis que o All Star. Hoje ele já não combina com todas as roupas que uso e preciso usar. Não tenho nem um pouco daquela obsessão juvenil materialista. Mas, sabe, eu ainda adoro esses tênis. Porque, por mais que eu passe um bom tempo sem usá-los; por mais que a “teenager obsession” já tenha ficado para trás; por mais chato que seja vê-los sendo desgastados em outros pés que não os meus; por mais que não continuem sendo os meus favoritos, eu sempre vou ter lembranças especiais e significativas quando encontrar um andando por aí. Ao amor platônico servem esses mesmos exemplos, porque, da mesma maneira, depois de um tempo as coisas quase sempre passam a ser analisadas com frieza racional. Acaba se descobrindo que aquela pessoa não era a mais bonita, a mais perfeita e muito menos o último ser humano do planeta. Esse amor platônico deixa de ser um conflito e passa a ser uma lembrança patética. Talvez até engraçada, mas sempre significativa. Porque algumas pessoas são únicas.

 Ou não.

Jehiel Casaes 

Narcisum Salvatis

Lembro-me quando tinha entre 6 e 7 anos e minha mãe havia chegado de viagem bem entusiasmada com uma peça da Broadway – O Fantasma da Ópera. Mais especificamente lembro-me da cena onde estávamos sentadas no chão da sala, em frente ao som, ouvindo o CD que ela trouxera do grande espetáculo. Ali ela relatara em detalhes a tragédia, o romance e o suspense envolvente em que era regida a peça. Enquanto as palavras saltavam de sua boca cheias de expressão, ao fundo as vozes inebriantes serviam de mecanismos para formação de algo dantesco em minha mente, eram imagens, que eu criara sem ver com os meus olhos, baseados na percepção da minha narradora, mas era os meus outros sentidos que se faziam capazes de formular cada detalhe visual.
E é com essas lembranças e tantas outras que entro em um paradoxo: a visão nos cega. Naqueles instantes eu conseguia organizar o meu próprio modo de vista, meus ouvidos captavam informações e a partir dali meu cérebro se tornara um mar no infinito da imaginação. A imagem formada pela retina é o famoso rótulo que as pessoas levantam em debates, é apenas a primeira imagem propriamente dita. Preferia caminhar com os olhos vendados, pois minha visão é preconceituosa, não sei se consigo olhar sem julgar, ainda que seja um “bom” julgamento, quem poderá afirmar que o que os olhos ali vêem é o que realmente é?!
Hoje entendo o que a frase, clichê, “o que os olhos não vêem o coração não sente” quer dizer: se não fossemos atraídos pelo rótulo talvez nós não nos frustrássemos tanto com os falsos produtos, obviamente é apenas uma das tantas vertentes que se pode interpretar, mas não deixa de ser um fato.
Eugene Bavcar, um fotógrafo cego, indaga: “Mas vocês não vêem corretamente, vocês são cegos. Pois hoje vivemos num mundo de cegos. As imagens são propostas pela televisão, imagens prontas”. Somos reféns da imagem, e o pior, reféns de imagens transpostas por alguém. É como se as imagens estivessem sempre procurando quem as compre. Às vezes canso de viver nesse mundo onde quem vê cara deduz o coração, onde as pessoas são vítimas da vaidade exacerbada e tendem a se moldar pra fazer parte de um núcleo de atenção desejável. Talvez se Narciso fosse cego ele não teria morrido afogado.

Bond Leklost da Insanidade

Bem, como alguns já sabem, o Insanoscópio saiu do ar por um momento porque fomos hackeados ( ou hackiados como eles preferem escrever) por um grupo intitulado  "Bond da Stronda". Aí eu fui pesquisar o que era isso. Imaginei um grupo de playssons (do tipo que tiram fotos no banheiro do shopping Iguatemi), mas o Bond da Stronda é mais do que isso.

 Bond da stronda na verdade é uma dupla de rappers "representantes de toda Playssitude" (como eles se denominam). Tocaram duas vezes em malhação e "Boom", todo mundo era "stronda" também. O nome foi adicionado a outros dessa modalidade -tipo: " L£@ndrinh0 $olz@ Lek Strønda" ou "ღ*•maiara løst Strøoonda ツ☏.*☆**♡" no -orkut. No msn todos passaram a ouvir esses caras. E a cachoeira de grana que caiu na conta dessa dupla foi tão grande que um deles dormiu como Gustavo e  acordou Arnold Schwarzenegger, efeitos latentes das vitaminas A, D e E.  , e o outro é a mistura de Lil wayne e Justin Bieber.  (Assistam o vídeo abaixo. Assistam mesmo!)




Nessa música você vê o modo de vida do Playsson e a competição entre eles pra ver quem é o mais Stronda. É  assim que se resume a vida de um "lek lost": Boné de aba reta, esteróides e Red Bull -de vez em quando Jiu-Jitsu e bem de vez quando garotas.
 E  os futuros Bill Gates e Steve Jobs que hackearam nosso blog queriam entrar nesse nicho intelectual. Se conseguiram, não sei. Só sei que eles abriram novas oportunidades para o Bond da Insanidade.
Voltamos!!!
"O Bond da insanidade tá chegando na irmandade/ encarando de frente a verdade/só assim se consegue a felicidade" - V1¢tow SΣQUЄŁΛ ß.Ø /ρrøfiiłє Ø2

Zodíaco do futebol



Na Astrologia, o signo ascendente, ou simplesmente ascendente , é o signo do Zodíaco que estava surgindo no horizonte no momento do nascimento da pessoa. Representa as características que surgem num primeiro olhar imediato, aquilo que irrompe de uma pessoa quando ela se coloca diante do mundo. O ascendente se manifesta desde o nascimento, na forma como nasce. As qualidades ascendentes são poderosas desde cedo e, por ser as externas,tendem a ser vistas com mais facilidade do que as qualidades do signo solar, as internas. Segundo um conceito astrológico tradicional, este planeta é o chamado “senhor” do mapa astral, que matiza toda a identidade de uma pessoa. O ascendente se junta ao signo solar e ao signo lunar, perfazendo a “identidade astrológica” mais poderosa de cada pessoa. (Por: Wikipédia)

Horóscopo, runas antigas, tarô, simpatias, numerologia, combinações astrais, horóscopo chinês, egípcio, paquistanês, João Bidu, a morte de Michael Jackson… Não acredito e nunca acreditei em nada disso. Respeito qualquer espécie de crença, mas meu referencial de vida é a bíblia. Mas não é sobre ela que vou falar hoje.
O jeito de falar e de mover o corpo enquanto fala, o timbre da voz, o balanço de cada fio de cabelo, a superfície da pele, os traços que compõem olhos e bocas, as reações a qualquer circunstância, a inteligência, a personalidade… Cada detalhe da existência do ser humano faz dele uma obra única. Acreditem, eu também sou uma obra única. A maneira pela qual me expresso em boa parte dos lugares é bem comunicativa, eu tento ser simpático e agradável. As pessoas sempre comentam que tenho um jeito sério e engraçado de falar, isso é incoerente, enfim…Mas ainda não descobri por que tantas pessoas ao me conhecerem, ou ao me conhecerem melhor, se interessam tanto pelo meu signo. É impressionante. Isso sempre me intrigou. Recentemente eu conheci um cara que perguntou meu signo com dois dedos de prosa. Depois ele falou sobre minha personalidade; meu jeito; minhas piadas, tudo com base no signo de libra. Não dei muito importância pra o que o guru universitário falou, mas aquele papo me proporcionou algumas reflexões.
Todo mundo conhece um fanático por futebol, o Brasil esta repleto deles. Os torcedores lotam os estádios, compram camisas caras, viram sócios de clubes, assinam o pay per view, fazem protestos, brigam entre si, dão nomes de craques aos filhos… Existem pessoas que adoram o futebol e, sobretudo, adoram seus times. Matam e morrem por eles. Aqui, não são poucos os casos de conflitos violentos entre torcidas organizadas. É impressionante como esse esporte movimenta um volume monstruoso de dinheiro em vários países. Jogadores caríssimos, patrocínios milionários. Mais impressionante ainda é saber que tudo isso é movimentado por paixão. “Bahêa, Bahêa minha vida, Bahêa meu orgulho, Bahêa meu amor ôôô…”. São milhões de brasileiros que amam e vivem por seus times. Mas o que faz nascer toda essa paixão? Resumidamente, crê-se que a os movimentos astronômicos no instante do nascimento de cada pessoa determina a “identidade astrológica” dela. Assim, o comportamento de um indivíduo; seu temperamento; seus sentimentos mais latendes; seus instintos mais fortes; seus interesses mais envolventes… Tudo é muito previsível e determinado pelo seu horóscopo. A veracidade disso ou não, se você acredita nisso ou não, se eu acredito nisso ou não, não é onde quero chegar. Não. Depois de refletir tanto sobre isso, acabei chegando no futebol. E foi onde eu mais viajei. O que é que move essa paixão? O que faz milhares se veem através de onze? O que há em mim, Jehiel Casaes, que me faz um corinthiano apaixonado? A astrologia dá explicações espiritualmente “lógicas” pra muitas coisas, mas acho que o futebol vai muito além. É viver, amar, lutar e morrer por uma camisa, um time, uma empresa, pela honra de gerações. Acho isso absolutamente irracional, mas não consigo deixar de cantar: “Aqui tem um bando de loco, loucos por ti, Corintihans…!”

Jehiel Casaes 

Uma prosa com a modinha, o chato e Schopenhauer…

Bem, o meu tempo áureo de internet coincidiu com uma febre musical e comportamental insana e sem sentido, chamada Emocore. E eu, como pré-adolescente “não-alinhado” com essa babaquice, criticava duramente essa galera de cérebro pequeno e tempo de sobra. Mas que cabeça, a minha. Entrar em comunidades, criar fakes pra xingar esses caras, cuspir em cima de posters do Fresno, CPM 22. Foi-se o tempo.


Eles são bizarros, mas não há nada melhor do que ignorar a existência deles
Hoje eu olho para trás e lamento. Lamento porque eu era tão babaca quanto eles, porquanto me organizava pra combater um bando de idiotas – Pra você se achar designado a esse trabalho tem que ser um quadrúpede mesmo. Ainda olhando pro passado, vejo que ele se repete. A mesma magreza dos músicos, os mesmos cabelos feitos com a chapinha da irmã, só um pouquinho mais de cor, o que os tornam mais espalhafatosos e o mundo mais triste. O que não mudou também foi a cabeça dos fãs dessas aberrações. Continuam altamente massificados e bitolados. Mas quem perde tempo se aglutinando contra essa galera, entrando em comunidade, dizendo que “Se Restart é rock’n roll, Xuxa é heavy metal” e etc, é tão tonto quanto esse povo rosa choque, só que em sentido contrário.
Enfim, o que eu quero dizer nesse curto post é que a juventude de hoje precisa de alguma tábua ideológica pra se agarrar, se não for nas cores do Restart, é na falta de cores do “antirrestart” ou de qualquer outra coisa que é idealizada por uma pessoa e seguida por uma multidão sedenta por ocupação. Aí que entra o Wolverine da filosofia, Schopenhauer. Ele disse que pensar com a cabeça alheia é a maior demonstração de “menoridade mental”. Então, aí vai um conselho pra essa galera que se estapeia entre o Punk, o Indie e o Emo, pensem com suas próprias cabeças, criem suas próprias opiniões, tenho certeza que não vai sobrar tempo pra militar em causas tão medíocres.

O Insanoscópio

O blog não tem estilo literário definido, nem assuntos limitados. Vamos falar de tudo e de nada; do velho e do novo; do engraçado e do sério. Ainda assim, vocês vão perceber o estilo de cada escritor de forma muito clara. Lê quem quer ler. Divulga quem curte e acompanha a gente. Se somente nossos amigos acessarem, estaremos no lucro.

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